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Há preliminares que dispensam penetração.

Domingo, Setembro 04, 2011

Desabafo


Notaram meu silêncio? Bom seria ler novidades aqui todos os dias, não? Quem sabe ao menos uma vez por semana?
Pois é, ando tão cansada, ocupada, fragilizada e por vezes mal humorada. Nem me reconheço mais. Estou ficando amarga, cansada e doente. Não vejo a hora de vender o cafofo, comprar um cafofinho menor e usar o lucro pra cuidar da minha saúde e dos projetos de trabalho. Preciso urgentemente cuidar de mim mesma.

Estes tempos de atenção intensiva à mãe em seu final de vida tem deixado a mim e meus irmãos exaustos. Além dos problemas com diabetes, começados a cerca de doze anos, e cardiopatia, a pelo menos sete anos, a velhinha iniciou sinais de Alzheimer e Parkinson. Ninguém merece.

Pra quem não sabe, minha mãe tem menos de vinte e cinco por cento da capacidade cardíaca, graças a um enfarte quase fulminante ocorrido há sete anos. Nem mesmo a medicina acredita que ela ainda esteja conosco. É um milagre. Mas que milagre sem graça.

Ninguém merece viver tanto em tão precárias condições de desfrutar o pouco tempo que lhe resta. Nestas condições a pobrezinha caminha com ajuda de um andador e fica exausta a cada seis metros. Sair da cama, banho e troca de roupas precisam de auxílio. Está proibida de pilotar o fogão. No máximo pode apertar o botão da cafeteira, previamente guarnecida ou aquecer uma refeição no microondas. Os movimentos dela estão lentos e há perda da flexibilidade, pelo Parkinson.
Bem, se caminha pouco o corpo fica ainda mais rígido, os intestinos não funcionam, aumenta a possibilidade de quedas, etc. Felizmente o Alzheimer não lhe tirou a memória sobre a rotina quanto à medicação que é um verdadeiro ‘balaio’ de remédios. Se dependesse de mim pra lhe alcançar os comprimidos ela estaria em apuros.
As medicações têm preços exorbitantes e, creio eu, é isso que a tem deixado viva todo este tempo. Se você está pensando nas facilidades que o SUS oferece, esqueça. O SUS só fornece AAS. Quando se trata de remédios caros nunca estão disponíveis na rede pública.

Nesta altura do campeonato não sobra dinheiro pra contratar uma acompanhante durante o dia, sequer uma diarista de vez em quando. A parte de compras de mantimentos, cozinhar, lavar as roupas, limpar a casa e cuidar do jardim e da mãe ficou pra mim. Meus irmãos se revezam na atenção à medicação, fraldas, marcação de consultas e exames além da administração dos gastos.
Respeitamos o desejo da mãe de morrer na casa dela e desejamos que ela tenha um final de vida digno, por isso administramos todos os gastos necessários à manutenção daquele casarão imenso, o que não é pouco.
Ao contrário das crianças que a cada dia aprendem mais e mais sobre a vida, o Alzheimer faz a pessoa desaprender gradativamente e perder a capacidade de resolver pequenas dificuldades no dia a dia.
O fardo está bem pesado e vai ficar ainda mais até que a vida resolva despedir-se e lhe oferecer um descanso merecido. A ela e a todos nós.

1 comentários:

Luiz disse...

Saudacoes Fada.
Acompanho seu blog ja ha alguns anos e passo por aqui quase diariamente. sou medico e posso te dizer o quanto eu entendo e solidarizo com a situacao de voces duas. Acompanho desde o primeiro post. Espero que tudo se resolva da melhor forma possivel e que voce volte a ser serelepe e pimpona como sempre, compartilhando suas alegrias com seus leitores fieis.
Voce vai ver o quanto sera uma pessoa melhor quando a satisfacao do dever cumprido cair sobre voce, para o mercido descanso. Uma vida nova vira, espero que voce a compartilhe conosco.
Terei voces duas em minhas oracoes.
Deus lhe acompanhe.
Luiz.