Notaram
meu silêncio? Bom seria ler novidades aqui todos os dias, não? Quem sabe ao
menos uma vez por semana?
Pois
é, ando tão cansada, ocupada, fragilizada e por vezes mal humorada. Nem me
reconheço mais. Estou ficando amarga, cansada e doente. Não vejo a hora de
vender o cafofo, comprar um cafofinho menor e usar o lucro pra cuidar da minha
saúde e dos projetos de trabalho. Preciso urgentemente cuidar de mim mesma.
Estes
tempos de atenção intensiva à mãe em seu final de vida tem deixado a mim e meus
irmãos exaustos. Além dos problemas com diabetes, começados a cerca de doze
anos, e cardiopatia, a pelo menos sete anos, a velhinha iniciou sinais de
Alzheimer e Parkinson. Ninguém merece.
Pra
quem não sabe, minha mãe tem menos de vinte e cinco por cento da capacidade
cardíaca, graças a um enfarte quase fulminante ocorrido há sete anos. Nem mesmo
a medicina acredita que ela ainda esteja conosco. É um milagre. Mas que milagre
sem graça.
Ninguém
merece viver tanto em tão precárias condições de desfrutar o pouco tempo que
lhe resta. Nestas condições a pobrezinha caminha com ajuda de um andador e fica
exausta a cada seis metros. Sair da cama, banho e troca de roupas precisam de
auxílio. Está proibida de pilotar o fogão. No máximo pode apertar o botão da
cafeteira, previamente guarnecida ou aquecer uma refeição no microondas. Os
movimentos dela estão lentos e há perda da flexibilidade, pelo Parkinson.
Bem,
se caminha pouco o corpo fica ainda mais rígido, os intestinos não funcionam,
aumenta a possibilidade de quedas, etc. Felizmente o Alzheimer não lhe tirou a
memória sobre a rotina quanto à medicação que é um verdadeiro ‘balaio’ de
remédios. Se dependesse de mim pra lhe alcançar os comprimidos ela estaria em
apuros.
As
medicações têm preços exorbitantes e, creio eu, é isso que a tem deixado viva
todo este tempo. Se você está pensando nas facilidades que o SUS oferece,
esqueça. O SUS só fornece AAS. Quando se trata de remédios caros nunca estão
disponíveis na rede pública.
Nesta
altura do campeonato não sobra dinheiro pra contratar uma acompanhante durante
o dia, sequer uma diarista de vez em quando. A parte de compras de mantimentos,
cozinhar, lavar as roupas, limpar a casa e cuidar do jardim e da mãe ficou pra
mim. Meus irmãos se revezam na atenção à medicação, fraldas, marcação de
consultas e exames além da administração dos gastos.
Respeitamos
o desejo da mãe de morrer na casa dela e desejamos que ela tenha um final de
vida digno, por isso administramos todos os gastos necessários à manutenção
daquele casarão imenso, o que não é pouco.
Ao
contrário das crianças que a cada dia aprendem mais e mais sobre a vida, o
Alzheimer faz a pessoa desaprender gradativamente e perder a capacidade de
resolver pequenas dificuldades no dia a dia.
O
fardo está bem pesado e vai ficar ainda mais até que a vida resolva despedir-se
e lhe oferecer um descanso merecido. A ela e a todos nós.



1 comentários:
Saudacoes Fada.
Acompanho seu blog ja ha alguns anos e passo por aqui quase diariamente. sou medico e posso te dizer o quanto eu entendo e solidarizo com a situacao de voces duas. Acompanho desde o primeiro post. Espero que tudo se resolva da melhor forma possivel e que voce volte a ser serelepe e pimpona como sempre, compartilhando suas alegrias com seus leitores fieis.
Voce vai ver o quanto sera uma pessoa melhor quando a satisfacao do dever cumprido cair sobre voce, para o mercido descanso. Uma vida nova vira, espero que voce a compartilhe conosco.
Terei voces duas em minhas oracoes.
Deus lhe acompanhe.
Luiz.
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